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Tag: sustentabilidade

Mesclando moda, consumo consciente e sustentabilidade

Mesclando moda, consumo consciente e sustentabilidade

Foto da capa: Marlon Macosa Fotografia

Quem acompanha o blog sabe que o consumo consciente é um tema recorrente por aqui. Há pouco tempo, comecei a ler o livro do André Carvalhal, Moda com Propósito, e me envolvi ainda mais com a questão do consumismo desenfreado e as consequências que ele traz para o nosso planeta. [Aliás, recomendo MUITO a leitura desse livro]

Por isso, resolvi buscar no mercado marcas que levam a sério esse tema e conheci a Mescla, cujo propósito vai muito além de produzir roupas com tecidos recicláveis e naturais (algodão orgânico e fibras de PET). Apoiado no conceito de desenvolvimento consciente, Lucas Arcoverde, fundador da marca de moda masculina, explica que é preciso pensar em toda a cadeia: desde a produção até o pós-consumo dos seus produtos. E nós sabemos que isso não é tarefa fácil.

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Crédito: Marlon Macosa Fotografia

Confira o meu bate-papo com o Lucas Arcoverde:

Qual foi o exato momento que você sentiu vontade de mudar a percepção do conceito da moda carioca e criar a Mescla?

Lucas: A Mescla surgiu inicialmente de uma insatisfação pessoal de ver no mercado marcas que só falavam de surfe, skate, Ipanema, posto 9. Além disso, trabalhei em algumas grandes marcas da moda e acompanhava todo o processo de criação das coleções, que começava com um conceito relevante, mas se perdia no meio do caminho. O produto final ia para as lojas sem dizer muito e apenas focado na estética. Esse modelo vende, mas eu queria agregar algo diferente às peças, um valor histórico e cultural.

Você sempre se preocupou com sustentabilidade? Quais pontos considera cruciais para uma produção totalmente sustentável e alinhada ao comércio justo?

Lucas: A sustentabilidade veio depois do que falei acima. Durante o meu período de pesquisas encontrei no desenvolvimento consciente não só o diferencial do mercado, mas também algo relevante para a cadeia produtiva e todos envolvidos em um processo mais ético e justo. Educar o consumidor é a principal missão.

A gente quer realmente entender quem está por trás de cada matéria-prima que utilizamos, quais as condições de trabalho, etc. Nossas peças são desenvolvidas localmente pelas nossas costureiras e nada é importado, diferente de muitas marcas no Brasil que utilizam fábricas da China, Bangladesh e outras para “viabilizar” o seu produto. Provamos que é possível fazer diferente por aqui.

Nesse contexto, quais são suas maiores dificuldades?

Lucas: Hoje o nosso maior desafio é ter orçamento para aumentar o mix de produtos e prospectar atacado (já temos estrutura para demandas altas). Mas pensando para o lado do desenvolvimento consciente, é ter tecidos reciclados com mais variedade para o desenvolvimento da coleção; achar uma tinta orgânica, que não precise de fixador químico e controlar o pós-consumo do que produzimos.

E as maiores recompensas?

Lucas: A maior recompensa é quando vemos alguém sendo influenciado pela nossa proposta, alguém que antes não tinha noção do impacto que causava ao mundo no ato do consumo.

Falando por mim, hoje qualquer rentabilidade vinda de um projeto que não tenha um propósito e preocupação com o impacto que está causando não faz sentido algum. Então ver pessoas impactadas e dando força é sinal de que o negócio está em um caminho certo e do bem.

Fale um pouco de como está a marca neste momento.

Tive um sócio durante 1 ano e pouco lá no início da marca, o que me ajudou muito. Depois fiquei sozinho até 6 meses atrás, quando o Lucas Ramon veio com fome e a mesma insatisfação de mercado que eu tive. Ele hoje ajuda em toda parte administrativa e logística de produção da marca. Produzimos quase tudo na confecção da Bebel, mãe dele.

Apesar de um serviço terceirizado nas plantações de algodão orgânico, fábricas de tecido e confecção, temos uma fiscalização em cada parte da cadeia envolvida, e noção de quantas pessoas são beneficiadas por isso.

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Lucas Ramon e Lucas Arcoverde. Crédito: Marlon Macosa Fotografia

Mescla foi fundada em 2012 e está incubada na MALHA, espaço de coworking fundado pelo André Carvalhal (aquele mesmo que citei lá em cima), que recebe marcas preocupadas em construir uma moda colaborativa, sustentável, local e justa.

 

 

Conheça o app que possibilita o empréstimo de objetos entre vizinhos

Conheça o app que possibilita o empréstimo de objetos entre vizinhos

Dizem que se conselho fosse bom não seria dado, mas vendido. Pra contrariar essa ideia egoísta, eu vim aqui avisar que se você está ávido para consumir de forma mais consciente e, de quebra, economizar uma graninha, o “Tem Açúcar?” pode ser um excelente aliado.

Idealizada pela carioca Camila Carvalho, a plataforma facilita o empréstimo de objetos entre vizinhos sem cobrar nada por isso. Começou como um site há quase dois anos e se tornou um aplicativo com o objetivo de estimular a economia colaborativa e criar senso de comunidade nas vizinhanças.

Ela conta que durante a sua carreira como modelo presenciou os inúmeros impactos que o hiperconsumo e consumismo geram nos indivíduos e nos sistemas, como a extração insustentável de recursos naturais, efeitos nocivos para o meio ambiente no processo de transporte, produção e descarte, além da presença de trabalho escravo em diferentes etapas da cadeia de produção. “Isso serviu de estímulo para que eu começasse a investigar a sustentabilidade em maior profundidade”, diz a carioca.

Camila buscou formações como o Gaia Education, curso de design para sustentabilidade com chancela da ONU e a Schumacher College, uma das mais renomadas escolas de sustentabilidade do mundo, no Reino Unido, e em dezembro de 2014, surgiu o “Tem Açúcar?”. O mais incrível é que em pouco menos de dois anos, o site já contava com 82 mil usuários, contabilizando mais de 12 mil bairros atendidos em todos os estados do Brasil.

Próximos passos

 O “Tem Açúcar?” foi selecionado para o Startup Chile, maior programa de aceleração de empresas de tecnologia da América Latina, onde recebeu mentoria e assistência financeira. Com o apoio, o projeto tornou-se aplicativo para atender melhor à demanda a qual se propunha. Mas eles querem ir além. Querem fazer do aplicativo uma rede social da vizinhança, permitindo também outros tipos de colaboração sem troca financeira como caronas, ajuda para trocar uma lâmpada, doação de objetos, indicação de serviços locais, companhia para fazer exercício, criação de eventos locais ou até mesmo um simples encontro entre vizinhos. Para isso, foi lançada uma campanha de financiamento coletivo. Se você curtiu a ideia e quiser colaborar com o projeto é só clicar aqui. Juntos, movemos o mundo!

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A carinha do app :)

Para saber mais e entender como o app funciona, basta acessar o site do Tem Açúcar.

 

Paraty Eco Festival: Sustentabilidade aliada à moda e ao design

Paraty Eco Festival: Sustentabilidade aliada à moda e ao design

Incentivar e valorizar propostas inovadoras e criativas para a sustentabilidade de comunidades tradicionais, fortalecendo e destacando não só a cultura local, como também de diversas regiões brasileiras. Essa é a proposta do Paraty Eco Festival, realizado desde 2011, que fomenta e realiza pesquisas e exposições, cujos processos de criação contemplam a preservação do meio ambiente, por exemplo.

O evento acontece entre os dias 12 e 23/10 e é uma realização conjunta do Instituto Rio Moda com o  Instituto Colibri. Ambos se uniram com o objetivo de fortalecer a troca de conhecimento relacionada ao uso sustentável de materiais em criações de moda, design, artesanato e em outros setores de produção.

Com certeza o Paraty Eco Festival é uma oportunidade maravilhosa para quem se interessa e tem vontade de se aprofundar nos temas acima porque conta com uma extensa programação de palestras; debates; oficinas; desfiles; exposições; mostra de Moda e Design Sustentáveis, entre outras atividades. Isso sem contar com o fato de que acontece num dos lugares mais charmosos do Rio de Janeiro, né? Ou seja, não tem erro!

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Clique aqui para saber mais.

 

Marcas que eu curto #House of Queens

Marcas que eu curto #House of Queens

Foto da capa: Absolem.

Dado o contexto do consumo sustentável, tenho procurado cada vez mais comprar de marcas nacionais e independentes. Afinal, temos que valorizar quem mais se empenha para manter seu negócio de pé com a crise econômica do país e evitar comprar das grandes marcas, que usam métodos não muito convencionais para tocar seus negócios.

House of Queens é uma marca muito querida, criada pela designer Chantale Sievers em 2012. Filha de uma estilista e um empresário, a paixão pelas roupas nasceu quando ainda era criança. Enquanto seus pais produziam suas roupas de couro, ela ficava sentada no chão da fábrica desenhando vestidos para suas barbies.

O carro-chefe da HOQ são as estampas e cores, cuidadosamente escolhidas pela designer. Os editoriais e lookbooks são todos feitos com as amigas e clientes, mulheres da vida real.

“Aqui não seguimos um padrão. Cada corpo veste diferente e por isso decidimos criar peças que não servem somente um biotipo, mas todos”, ela conta.

Eu mesma já participei algumas vezes das sessões de fotos e é sempre bem divertido. As imagens abaixo assinadas pela Absolem são da coleção Free Spirits, que ela acaba de lançar. (Clique nas imagens para ampliar)

Minha admiração pela marca não vem só da amizade com a Cha, mas por acompanhar de perto todo o esforço com que ela cuida dos mínimos detalhes – desde o tecido até a decoração da loja – para que tudo fique impecável, do jeitinho que ela pensou, com o simples intuito de encantar as suas clientes, as quais ela chama carinhosamente de “queens”.

As peças são feitas à mão por um time de costureiras aqui mesmo no Rio de Janeiro e, além de estampadas e supercoloridas, são fluidas e prezam pelo conforto. Segundo a designer, a HOQ surgiu da vontade de fazer toda mulher se sentir rainha todos os dias. De não abrir mão de ser romântica e de se sentir linda na rotina louca do dia a dia. É deixar o colorido pintar a alma. Fofa, né? <3

Onde encontrar:

Rua Visconde de Pirajá, 476 B – Ipanema.

Vendas online: http://www.hoqrio.com