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Por dentro do jornalismo de moda com Camila Yahn

Por dentro do jornalismo de moda com Camila Yahn

Certa vez, ouvi dizer que o conhecimento é o único bem que enriquece a alma e permanece na vida de uma pessoa para sempre. Concordo plenamente com essa teoria e se tem uma coisa que eu amo fazer é aprender, além de conhecer pessoas incríveis ao longo desse processo.

Há um tempo, eu tive a oportunidade de participar do workshop de jornalismo de moda com a Camila Yahn, promovido pelo Instituto Rio Moda. Para quem não sabe, a Camila é jornalista, editora-chefe da FFW e já trabalhou com grades nomes da moda, como Erika Palomino, Alcino Leite Neto, Joyce Pascowitch e Paulo Borges.

Durante o curso, que durou dois dias, além de focar em temas específicos voltados para o desenvolvimento dos participantes, Camila contou vários baphos dos bastidores do mundo da moda e traçou um panorama sobre o futuro do mercado editorial do setor no Brasil: “As revistas menores, de nicho, estão dando a volta por cima e se tornando cada vez mais relevantes para os consumidores do que as revistas mais comerciais e ricas. O conteúdo de nicho é tão diferente, tão legítimo, que se sobressai. É o que faz a diferença hoje em dia”, observou.

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Foto por Renata Coutinho

A editora-chefe do FFW reforçou ainda a importância da inovação e da originalidade para obter sucesso no ramo da moda: “Inovar não necessariamente significa fazer algo que as pessoas nunca viram, mas olhar para elas e conseguir antecipar um comportamento. Além disso, quando você tem uma personalidade e deixa o seu gosto transparecer mais do que as tendências, isso aparecer porque você não pensa igual aos outros. Você não vai inventar uma roupa totalmente nova, mas pode inventar um jeito novo, mais fresco, de usá-la. Resumindo, inovar na moda é estar sempre de olhos abertos, ser você mesmo e, se possível, usar o que a tecnologia tem para oferecer”, revelou.

Aproveitei para perguntar se ela acredita na existência de um equilíbrio entre o mercado da moda e o consumo consciente. Quem leu esta matéria que escrevi, sabe que ando bem preocupada com o assunto. Camila respondeu que apesar de existir uma linha dentro da moda que discute isso, ainda falta muito para que o setor de fato dê um passo significativo neste sentido. Segundo ela, na prática, as mudanças de pensamento ainda não estão causando grandes efeitos porque a quantidade de pessoas que consomem desenfreadamente ainda é muito maior.

“Essa mentalidade existe, mas não é do interesse da moda que essas informações cheguem ao público porque se todo mundo for consciente, a indústria acaba. As marcas precisam vender para sobreviver. Então estamos em meio a um paradoxo: ao mesmo tempo em que a consciência é fundamental, se o consumismo acabar, pessoas ficarão desempregadas. Não se sabe ainda o que vai acontecer, mas de fato tem que haver uma mudança de consciência porque o consumismo está custando muito caro para o planeta e para a humanidade. Eu acredito que no futuro as coisas vão caminhar naturalmente para o equilíbrio. O pensamento vai se elevar, enquanto o consumismo vai diminuir e, de repente, as mudanças acontecerão de forma orgânica sem causar grandes devastações”, concluiu.

Depois disso, nos despedimos com um abraço apertado. Hoje, apesar de nunca ter trabalhado na redação de um veículo de moda, posso dizer que sei exatamente como ela funciona.

Obrigada, Camila.

Instituto Rio Moda

Para quem se interessa e tem vontade de se aprofundar no assunto, o Instituto Rio Moda vai promover um novo curso de reportagem de moda, agora no dia 06/05, com a jornalista especializada em Criação de Imagem e Styling de Moda, Renata Piza. (#ficadica)

Esse texto foi originalmente publicado na NOO.