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Tag: consumo consciente

Carta aberta de uma ex-consumista

Carta aberta de uma ex-consumista

Meu nome é Bruna, tenho 27 anos e estou há 20 dias sem comprar nada supérfluo. Hoje eu me considero uma ex-consumista. Isso quer dizer que eu parei de comprar? NÃO. Mas significa que eu passei a ter uma relação bem diferente e mais consciente com as minhas compras, meu consumo. Sim, ainda tenho MUITO a evoluir, mas toda mudança, quando genuína, acontece aos poucos. Ninguém muda de um dia pro outro.

Quem convive comigo no dia a dia percebe a diferença. Isso porque antes, toda semana, eu surgia com uma nova “comprinha” aparentemente inocente. Muitas vezes mais de uma. Época de liquidação então, nem se fala. O que acontecia? Eu gastava uma grana em coisas que nem me lembrava depois (primeiro péssimo indício de que você está comprando o que não precisa). Além disso, abarrotava o meu armário com itens desnecessários, que dificultavam minha vida, principalmente quando tinha que me vestir pela manhã.

Como eu já comentei antes no blog, o meu comportamento começou a mudar por dois motivos: por tomar conhecimento das consequências do consumismo desenfreado e totalmente irresponsável para o nosso planeta e por definir um objetivo claro para juntar meu dinheiro (isso ajuda muito!).

Hoje, quando quero comprar me faço algumas perguntas: “eu realmente preciso disso?”, “esse produto vem de onde?”, “essa compra vai interferir no meu projeto? Algumas vezes, as respostas são positivas: “sim, eu preciso disso”; “sim, vale a pena investir”. E não há nada de errado em  comprar um sapato novo porque a sapatilha rasgou, uma bolsa nova porque as suas já estão antiguinhas ou aproveitar a liquidação de uma loja de biquíni para trocar o seu por um modelo mais moderno. Ninguém precisa desapegar e abrir mão de todo conforto para viver. O pulo do gato é encontrar o e-qui-lí-brio (de preferência priorizando marcas que fazem a diferença por um mundo melhor com produtos conscientes, apoiados na lógica do comércio justo).

Penso muito nisso porque conheço muitas, mas muitas pessoas mesmo, que poderiam ter uma vida mais tranquila e planejada se conseguissem conter seus excessos. Já vi gente se endividando com a fatura do cartão de crédito sem sequer lembrar o que comprou com ele.

Enfim, em época de crise financeira e ecológica, tento seguir o lema: colecione momentos, não coisas. Tentem fazer o mesmo. É transformador.

consumo consciente

Para quem quer dicas de como consumir de forma mais consciente, clique aqui.

Já quem deseja entender o conceito de lowsumerism, clique aqui.

Mesclando moda, consumo consciente e sustentabilidade

Mesclando moda, consumo consciente e sustentabilidade

Foto da capa: Marlon Macosa Fotografia

Quem acompanha o blog sabe que o consumo consciente é um tema recorrente por aqui. Há pouco tempo, comecei a ler o livro do André Carvalhal, Moda com Propósito, e me envolvi ainda mais com a questão do consumismo desenfreado e as consequências que ele traz para o nosso planeta. [Aliás, recomendo MUITO a leitura desse livro]

Por isso, resolvi buscar no mercado marcas que levam a sério esse tema e conheci a Mescla, cujo propósito vai muito além de produzir roupas com tecidos recicláveis e naturais (algodão orgânico e fibras de PET). Apoiado no conceito de desenvolvimento consciente, Lucas Arcoverde, fundador da marca de moda masculina, explica que é preciso pensar em toda a cadeia: desde a produção até o pós-consumo dos seus produtos. E nós sabemos que isso não é tarefa fácil.

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Crédito: Marlon Macosa Fotografia

Confira o meu bate-papo com o Lucas Arcoverde:

Qual foi o exato momento que você sentiu vontade de mudar a percepção do conceito da moda carioca e criar a Mescla?

Lucas: A Mescla surgiu inicialmente de uma insatisfação pessoal de ver no mercado marcas que só falavam de surfe, skate, Ipanema, posto 9. Além disso, trabalhei em algumas grandes marcas da moda e acompanhava todo o processo de criação das coleções, que começava com um conceito relevante, mas se perdia no meio do caminho. O produto final ia para as lojas sem dizer muito e apenas focado na estética. Esse modelo vende, mas eu queria agregar algo diferente às peças, um valor histórico e cultural.

Você sempre se preocupou com sustentabilidade? Quais pontos considera cruciais para uma produção totalmente sustentável e alinhada ao comércio justo?

Lucas: A sustentabilidade veio depois do que falei acima. Durante o meu período de pesquisas encontrei no desenvolvimento consciente não só o diferencial do mercado, mas também algo relevante para a cadeia produtiva e todos envolvidos em um processo mais ético e justo. Educar o consumidor é a principal missão.

A gente quer realmente entender quem está por trás de cada matéria-prima que utilizamos, quais as condições de trabalho, etc. Nossas peças são desenvolvidas localmente pelas nossas costureiras e nada é importado, diferente de muitas marcas no Brasil que utilizam fábricas da China, Bangladesh e outras para “viabilizar” o seu produto. Provamos que é possível fazer diferente por aqui.

Nesse contexto, quais são suas maiores dificuldades?

Lucas: Hoje o nosso maior desafio é ter orçamento para aumentar o mix de produtos e prospectar atacado (já temos estrutura para demandas altas). Mas pensando para o lado do desenvolvimento consciente, é ter tecidos reciclados com mais variedade para o desenvolvimento da coleção; achar uma tinta orgânica, que não precise de fixador químico e controlar o pós-consumo do que produzimos.

E as maiores recompensas?

Lucas: A maior recompensa é quando vemos alguém sendo influenciado pela nossa proposta, alguém que antes não tinha noção do impacto que causava ao mundo no ato do consumo.

Falando por mim, hoje qualquer rentabilidade vinda de um projeto que não tenha um propósito e preocupação com o impacto que está causando não faz sentido algum. Então ver pessoas impactadas e dando força é sinal de que o negócio está em um caminho certo e do bem.

Fale um pouco de como está a marca neste momento.

Tive um sócio durante 1 ano e pouco lá no início da marca, o que me ajudou muito. Depois fiquei sozinho até 6 meses atrás, quando o Lucas Ramon veio com fome e a mesma insatisfação de mercado que eu tive. Ele hoje ajuda em toda parte administrativa e logística de produção da marca. Produzimos quase tudo na confecção da Bebel, mãe dele.

Apesar de um serviço terceirizado nas plantações de algodão orgânico, fábricas de tecido e confecção, temos uma fiscalização em cada parte da cadeia envolvida, e noção de quantas pessoas são beneficiadas por isso.

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Lucas Ramon e Lucas Arcoverde. Crédito: Marlon Macosa Fotografia

Mescla foi fundada em 2012 e está incubada na MALHA, espaço de coworking fundado pelo André Carvalhal (aquele mesmo que citei lá em cima), que recebe marcas preocupadas em construir uma moda colaborativa, sustentável, local e justa.

 

 

Kate Middleton é gente como a gente

Kate Middleton é gente como a gente

Kate Middleton é elegante, poderosa, podre de rica e, por isso, jamais repetiria um look, certo? Errado. E se tem uma coisa que deveríamos todos aprender com ela é que não há nada demais em repetir uma peça de roupa. Enquanto estilistas se matam pra ter uma oportunidade de vestir a Duquesa de Cambridge lá está ela bela e formosa mostrando ao mundo o que é consumo consciente (#amém).

Diversos meios de comunicação criticaram Kate pelo “pecado fashion” simplesmente porque não aceitam o fato de uma integrante da família real britânica, considerada um ícone de beleza e elegância, repetir roupas. E aí eu me pergunto: o quão ultrapassado é esse pensamento? Conforme eu já mencionei aqui e aqui, o consumo consciente não é mais uma escolha, é uma necessidade. E quando uma personalidade como a mãe do príncipe George e da princesa Charlotte segue alguns princípios desse movimento, ela nos representa. Obrigada, Kate. Tamo junto.

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Kate em 2006, 2011 e 2016.

Veja aqui as 78 vezes em que a Duquesa de Cambridge repetiu seus looks.