Feliz pra quem?

Feliz pra quem?

Ninguém é feliz cem por cento do tempo. Você vai brigar com quem gosta, vai fazer coisas que não curte, vai perder pessoas queridas, vai engolir sapos, vai acordar mal-humorado, vai ficar com a autoestima lá no pé, vai chorar sem motivo, vai se decepcionar com alguém que jamais imaginou.

Mesmo assim, tenho percebido que, cada vez mais, as pessoas estão se esforçando para esconder suas dificuldades e aí o mundo parece estar cheio de gente bem resolvida e tranquila, apesar de não ser o caso. E, na minha opinião, as redes sociais tem uma boa parcela de culpa nisso.

Já reparou que a maioria do que é postado tem o intuito de mostrar ao mundo como a nossa vida é maravilhosa? Ou vai me dizer que você escolhe suas piores fotos para postar? Claro que não. Você não vai escolher uma foto da sua cozinha toda bagunçada com louça na pia pra lavar, vai? Aposto que também não posta foto acordando com a cara amassada de ressaca. Certamente, vai optar por uma que você esteja mais “apresentável”.

Com isso, as pessoas estão se tornando dependentes desse universo paralelo que criam para si mesmas. E aí a brincadeira começa a ficar perigosa. Ter que mostrar o lado bom da vida o tempo todo é cansativo e gera uma baita ansiedade. Lidar com as expectativas dos outros consome demais. Certa vez, li que tudo seria mais fácil se as pessoas falassem sobre os seus problemas umas com as outras, em vez de fingir que está tudo bem. Faz sentido.

Por isso, hoje vou me respeitar e me recolher. Vou vestir o trapo mais velho e confortável que eu tenho para ficar largada no sofá, comendo chocolate e chorando as minhas mágoas, minhas tristezas. Porque eu não sou obrigada a ser feliz o tempo todo.

 

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